As mulheres dizem que os homens não prestam e os homens dizem que não entendem as mulheres. Mas quanto eles tem convivido para além das relações sexuais ou familiares?
Afinal, pode existir amizade entre homem e mulher?
É inegável que esse tabu existe. Agora, o que sustenta ele?
A masculinidade “tóxica” impõe ao homem que trate as mulheres como objetos a serem conquistados. A amizade muitas vezes se estabelece, mas somente até o ponto dele pensar que tem uma abertura para tentar algo a mais – afinal será que deixar passar não é “perder uma oportunidade e enfraquecer o nobre papel de garanhão?”
Em adição, o machismo faz com que as mulheres criem padrões de competição entre si, o que chamamos de rivalidade feminina. Nesse sentido, uma amizade heterossexual alimenta a paranóia de uma possível traição, como se para que esta exista fosse necessário uma amizade.
Mas e se fizermos o contrário? Será que não é mais provável que um homem com amigas não enxergue as mulheres como um objeto e, assim, consiga se relacionar com elas sem um padrão colonizador patriarcal – modelo de superioridade e controle masculinos?!
Se a cultura atual, baseada no patriarcado, machismo e masculinidade tóxica sustentam esse tabu, quando dois gêneros não se comunicam, o que se perde?
O homem perde-se a si mesmo. Condenado pelo patriarcado a uma asfixia de seus sentimentos, reclama que não entende as mulheres mas, primeiramente, não entende a si mesmo, pois não escuta sua própria voz interior.
E ainda, na perspectiva do homem, a falta de amizade com mulheres faz com que eles construam relações somente com suas mães e com as mulheres que transam, perpetuando a visão (limitada) de que o lugar da mulher é o de cuidadora e/ou objeto sexual.
Ela, por sua vez, cansada de ver a história se repetir, se abre cada vez menos para amizades com homens no intuito de se proteger de “predadores” disfarçados de “bons amigos”.


